Bêbado em um bar qualquer, veio o flashback de algumas horas antes quando, em pé de frente para o mictório, pau na mão e o escambau, ele exultava:
- Agora vai!
Só não deu aquela esfregada nas mãos típica dos planos malignos porque estava em frente ao mictório e nada daria certo se urinado dos pés a cabeça. Mas enfim, agora ia!
Voltou para a mesa e lá estava ela. Pensou se ainda precisava dar mais uma cozinhada ou se era hora de ir de garfo e faca. "Garfo e faca um caraleo, eu vou é comer com a mão" e chegou na mesa com os dentes à mostra.
- Então, na minha casa ou na sua?
- O quê?
- Como o quê? A corrida de hoje a noite é que não é...
- Não? Então é o quê?
Princípio de azia. Isso é que dá se portar como um queniano diante de uma caixa de mantimentos da ONU.
- Oras, tivemos uma noite agradável aqui. Agora, segundo o manual de relações humanas, nós vamos para a cama mais próxima e terminamos o que foi começado nesta mesa...
- E o que começamos nessa mesa?
Ok, ela não era tapada. Pelo contrário, era inteligente à beça. Pode ser charme? Aquele negócio de se fazer de difícil até a hora H, já perto do ponto G, quando se abriria de A a Z. Maldito alfabeto.
- Como assim? O papo está bom, a gente já bebeu bastante, sua saia subiu consideravelmente de umas horas para cá. É só ver os sinais...
Por pouco ele não soltaria um "as runas não mentem".
- E isso faz com que você pense que eu vou para a cama com você? Então, sem querer ser chata, eu já tenho planos para hoje. E o principal deles é ir embora daqui a pouco. Mas olha, brigada pela companhia. Você é muito, mas muito fofo e um ótimo par de mesa...
Aqui ele interrompe para pensar duas vezes se ela não teria dito "pé de mesa".
- ... mas enfim, tenho esse compromisso inadiável e não posso mais ficar.
- Mas...
Ela se despede com um beijo e sai, arrumando a saia. Ele... bem, ele dá uma olhada em volta e tudo rodou. Não lembra se foi o uísque, a cerveja, a tequila ou o baque. Acaba por chamar o garçom, pois com fome ele não ficará.
- Pois não, senhor?
- Me vê um misto quente, por favor.
De qualquer forma, resolveu que aquela noite ele ia comer mal.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Uma porção de mulher. Pra comer agora
Postado por
Júlio César
às
09:48
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