quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Grandes merda disputar a final com o América

Eu não sei o por quê desse texto, mas é uma homenagem ao campeão brasileiro de 2007, o São Paulo, apesar do título mostrar o contrário. A história vale ser contada por ser um exemplo do que esse troço chamado futebol faz com as pessoas.

Ano 2000, se a memória não erra. O Corinthians tinha acabado de ser bicampeão brasileiro (98/99) e estava tudo bem no Parque São Jorge, diferente dos dias macabros de hoje. É certo que tinhamos lá Dualib e os 40 ladrões, mas isso não vem ao caso. O que vem é o Campeonato de Futebol de Salão da Fase 4 do condomínio Portal dos Bandeirantes. Pela primeira vez na história desse célebre torneio (vou recordando outras histórias por aqui, tem pérolas ótimas) eu cai em um time decente. Mas esse time só tinha um problema: era quase todo formado por são paulinos (de corinthianos, só eu e o André).

Eis que terminado o sorteio dos jogadores, os outro cinco (para dar mais emoção ao jogo por conta das dimensões da quadra, jogavámos com três na linha e deixavamos um reserva por time) olham para este e vaticinam: o uniforme do time, por maioria, será a camisa do tricolor paulista. Eu, por saber que a batalha estava perdida, porém a guerra não, não me fiz de rogado:

- Tá certo, mas tem uma coisa, eu escolho o nome do time!
- Tá bom, é muito justo. E qual será o nome?
- CORINTHIANS, é claro!

Pânico na seara tricolor. Todos se olham com cara de reprovação. Um deles esboça:

- Nem fodendo, tá louco?
- Tá bom, se não rolar o nome Corinthians, não rola camisa do São Paulo.

Papo vai, papo vem e acabou definido que o Corinthians jogaria com a camisa do São Paulo.

Vencemos o primeiro jogo, uma partida épica que acabou em 10 a 9. Depois disso, fomos jogar contra o melhor time do campeonato, ainda na fase de grupos. A vitória deles era certa (e aconteceu), mas havia algo de diferente aquele dia no tricolor do Parque São Jorge. Todo mundo posicionado, o árbitro da partida era o Rafa, grande amigo e são paulino doente. Lá pelos 15 ou 20 minutos de jogo, um milagre acontece.

André chutou a bola perto da linha de tiro livre. O goleiro rebateu ela parcialmente, com os pés. A pelota subiu e este que vos escreve olhou para o alto. Na queda, matou a redonda no peito e viu o Puff, jogador do outro time, dar o bote. Em um daqueles momentos de Pelé que todo mundo sempre tem, eu ameaço o chute e, vendo o pulo de Javier Sotomayor que o Puff deu, não penso duas vezes e dou-lhe um chapéu histórico.

A torcida urra, o impossível acontecia. Ali, um corinthiano joga com a camisa tricolor e, desafiando qualquer prognóstico, aplica um lindo chapéu depois de uma matada de classe no peito, daquelas que abraçam a bola e a faz cair para quicar só uma vez, o suficiente para erguê-la. Depois do chapéu o Sávio, goleiraço do time adversário, sai em disparada do gol e eu o fuzilo sem dó, algo próximo daquele chute que o Jairzinho deu na Copa de 70 quando chapelou o goleiro da Tchecoslováquia.

Rafa, o árbitro da partida, não se contém:

- GOLAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÇO!

E, como se fosse do meu time, parte para abraçar o amigo que, por instantes, teve seu momento de craque pelo Corinthians, com as vestes do São Paulo.

Acabamos, como disse antes, perdendo o jogo. Fizemos outra partida épica na qual perdemos de 11 a 9 e fomos eliminados. Mas até hoje, sempre que eu jogo bola com o Puff, não deixo de espinafrar:

- André chuta no gol, Sávio espalma, a bola sobe, Café vai para o lance e mata a redonda no peito, recebe o combate de Puff, liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo chapéu do Café, Sávio sai do gol, Café fuzila! E queeeeeeeeeeeeeeeeeee gooooooooooooolaço!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O gol mais lindo da vida de um corinthiano foi feito pelo Corinthians, mas com a camisa do São Paulo. Coisas do futebol.